DINHEIRO E GÉNEROS, OS RESULTADOS ULTRAPASSARAM OS 15 MIL EUROS

Mais uma vez, no dia 8 de Dezembro, saiu à rua o que chegou a constituir uma realização obrigatória, nos primeiros anos da Misericórdia de Oliveira do Bairro, tornando-se, depois, tradição, um cortejo de oferendas, hoje com menos notas de etnografia, mas ainda com significativos gestos de solidariedade.

“Despensa composta”

Com menos notas de etnografia, pois não houve os ranchos deste e daquele lugar, mas isso não impediu que as oferendas chegassem e desfilassem em cima de carrinhas de caixa aberta, embandeirados com canas da índia ou outros adornos onde voavam ao ventinho da tarde da última quinta-feira, feriado.

A abrir, a única nota de folclore - o desfile do Grupo de Danças e Cantares da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro que encerrou a festa, exibindo-se no terreiro em frente da instituição.

Embora o cortejo fosse um pouco curto parra tanta necessidade, o desfile teve início junto da igreja matriz e seguiu, a direito, pela rua Cândido dos Reis.

Como habitualmente a maior participação pertenceu aos lugares da freguesia de Oliveira do Bairro - Montelongo, Amoreira do Repolão, Cercal, Camarnal, Lavandeira, Murta, Serena, Vila Verde. Mas também se fizeram representar o lugar de Malhapão e a freguesia do Troviscal (com quatro carros)

Alhearam-se assim freguesias como Oiã, Mamarrosa, Palhaça e Bustos e assim os lugares que as constituem.

“A Misericórdia fica com a despensa cheia para alguns meses”, ouvimos dizer.

Das ofertas constavam essencialmente batatas, cebolas, kiwis, aves de capoeira, etc.. Mas também ali chegaram algumas paletes de tijolo da Cerâmica Portugal, via representação do Cercal.

“Aproximação das populações”

Apesar do cortejo ser curto e a necessidade muita, o provedor, José Carlos Soares, de contente, não enjeitou tripular um monta-cargas para o acondicionamento de algumas ofertas.

Estava satisfeito por dois motivos, não apenas pelas ofertas recebidas de braços abertos e com um natural sorriso, mas sobretudo pela aproximação das populações à instituição. “Sentirem-na como deles é que é importante”, reforçou. Contou até o caso de uma pessoa da Mamarosa que não sabia onde ficava a Misericórdia, nem tão pouco a sua dimensão. Soubera ele antes e teria mobilizado outras pessoas...

No entanto, será de referir que, concomitantemente, está a decorrer um peditório através do concelho. Tudo junto, constitui, em tempo de crise financeira, uma boa ajuda e um belo e grato empurrão.

Feitas as contas, em dinheiro e géneros, o cortejo ultrapassou os 15 mil euros, o que fez feliz o provedor e demais elementos da Mesa. José Carlos Soares, concluiu mesmo que foi o dobro do ano passado”, o que, considerando a crise que há, “foi muito bom”.

Armor Pires Mota
Diário de Aveiro



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