NOS DIAS 11 E 13 DE OUTUBRO, A CIDADE ACOLHE O ENCONTRO ARTE NOVA

A cidade de Aveiro quer assumir-se como "capital da Arte Nova" e a Câmara está apostada na divulgação e protecção do seu património, avançando para a cooperação internacional em torno desta corrente estética.

Nos dias 11 e 13 de Outubro, numa organização conjunta com as cidades de Riga e de Barcelona, a cidade acolhe o encontro "Arte Nova:

Uma porta para o futuro", que tem como principal finalidade "estudar o movimento Arte Nova e analisar o potencial dessa corrente artística em termos de turismo, preservação e desenvolvimento urbano sustentável".

Até ao final do ano outras iniciativas se seguirão de estudo e divulgação daquele movimento artístico característico do final do século XIX e princípios do século XX.

Em curso, segundo revelou à Lusa fonte municipal, está a realização de um documentário sobre a Arte Nova e a criação de uma mala pedagógica.

Em Maio foi lançada na cidade a Rede Nacional de Municípios Arte Nova, que congrega os municípios de Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Espinho, Loures, Cascais, Caldas da Rainha, Figueira-da-Foz, Leiria, Porto, Gaia e Lisboa.

A sede vai ser em Aveiro, na "Casa Major Pessoa", destinada a Museu da Arte Nova e que está a ser recuperada com financiamento do Ministério da Cultura.

Segundo disse à Lusa Capão Filipe, vereador da Cultura da Câmara de Aveiro, "as obras devem ficar prontas até ao fim do ano".

O Município tem vindo a intervir na arquitectura Arte Nova mediante a aquisição e recuperação de vários imóveis e outros elementos do estilo.

A Câmara Municipal de Aveiro interveio directamente na aquisição e restauro da Casa Major Pessoa, recuperação da Capitania e do coreto do Parque D. Pedro, bem como do edifício do Museu da República.

Actualmente, segundo fonte municipal, decorrem também trabalhos de limpeza e restauro do Obelisco, do fontanário das Cinco Bicas, e da fachada do Museu.

No entanto, várias casas continuam propriedade particular, o que, se nalguns casos não foi obstáculo à recuperação, como acontece com a moradia que serve os serviços administrativos de uma unidade hoteleira, levou em muitos outros à ruína e demolição, pela dificuldade em custear a conservação ou para dar lugar a empreendimentos imobiliários mais rentáveis.

Capão Filipe encara mesmo a possibilidade de ser criada uma sociedade de reabilitação urbana para apoiar os proprietários dos imóveis na sua preservação, como já acontece com o "banco do azulejo" que tem feito intervenções em colaboração com os particulares, para evitar o desaparecimento da azulejaria tradicional aveirense.

Após décadas em que se perderam irremediavelmente várias construções ao estilo Arte Nova, como a casa onde viveu Homem Cristo, a Garagem Trindade ou a Mercearia Albino Miranda, (por vezes até por decisão municipal), nos últimos anos houve maior sensibilidade, quer particular, quer pública, para a preservação patrimonial.

O ano 2000 ficou marcado pela criação da comissão consultiva do património edificado, com vista a preservar as edificações.

"A comissão é constituída por representantes de associações de defesa do património, da Ordem dos Arquitectos e de outras entidades e tem tido um funcionamento ininterrupto, fazendo o aconselhamento ao departamento de obras do que deve ou não ser mantido", esclarece Capão Filipe.

Desde 1999, ano em que decorreu o Encontro Nacional de Arte Nova, têm-se multiplicado também as actividades em torno daquele movimento artístico, como o lançamento do roteiro Arte Nova da cidade e a promoção de várias visitas guiadas aos edifícios mais emblemáticos.

A iniciativa conjunta de Aveiro, Riga e Barcelona, a realizar em Outubro, insere-se nessa nova sensibilidade e vai permitir a partilha de conhecimentos e experiência, o intercâmbio no âmbito da preservação urbanística e a promoção turística de um circuito integrado Arte Nova.
Diário de Aveiro



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