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27-07-2007

António Granjeia: «O Galitos dependia excessivamente da Câmara»


António Granjeia, presidente do Clube dos Galitos desde Novembro de 2005, explica por que razão a equipa sénior de basquetebol suspendeu a participação da Proliga, a segunda competição mais importante do calendário nacional. Em entrevista ao Diário de Aveiro e à Aveiro FM, o dirigente fala ainda do programa Polis, da pista de remo do Rio Novo do Príncipe ou do Aveiro Basket. E lamenta que em Portugal o futebol ofusque as restantes modalidades


O Galitos suspendeu a participação na Proliga e pela leitura do comunicado que o clube lançou dá ideia que a Câmara é responsabilizada, uma vez que há atrasos no pagamento de subsídios…
Nós suspendemos a participação, mas se houver possibilidade um dia voltaremos. A questão não tem a ver com a Câmara, mas com ajustar os orçamentos dos clubes à realidade existente. Eu sempre tive um lema na vida: não sou o Zé do Bronze, que ganha dez e gasta onze. Não temos dinheiro, logo não se faz aquilo que não se pode. Nós demos sinais disso o ano passado, quando reduzimos a participação de estrangeiros na equipa, ficando só com atletas nacionais, mas não foi suficiente porque o mercado, as empresas e o país não vivem folgado. Por isso não podemos viver acima das nossas possibilidades. Não atribuímos responsabilidades à Câmara por sairmos da Proliga, é uma decisão exclusivamente da secção e apoiada pela direcção do clube.

No entanto, o comunicado do Galitos refere que «os motivos desta mudança prendem-se com as dificuldades financeiras criadas pelo incumprimento do contracto programa assinado pela Câmara de Aveiro referentes ao ano de 2005/2006 e à inexistência de qualquer apoio em 2006/07»…
A leitura do comunicado pode ser assim ou não. Quando fiz o comunicado, não pensei nisso e é abusivo lerem dessa forma…

Mas o próprio vereador Jorge Greno terá interpretado o comunicado como uma crítica do clube à autarquia…
Cada um é livre de ler como quiser. A realidade é esta: como é que pagamos aos semi-profissionais, como dizem – o que também não é verdade, porque são amadores, com uns prémios de jogo de vez em quando –, com o dinheiro da Câmara se nós não o recebemos? É tudo uma falácia. O que é importante – e é isso que fazemos desde que chegámos ao clube, em 2005 – é ajustar o orçamento à realidade do clube e da competição. Nós somos um clube de formação e é assim que queremos estar. Impusemos uma medida disciplinadora da actividade das secções a nível financeiro, limitando os custos correntes à angariação de receitas. Se houver receita para fazer face à actividade da formação e alguma competição de bom nível, faremos a competição de bom nível; se não houver, não faremos. Não entramos em loucuras.

Jorge Greno afirmou, em resposta à declaração do Galitos, que o subsídio da Câmara não servia para financiar actividades profissionais ou semi-profissionais. Como olha para essa afirmação?
No Galitos nunca serviram. Jorge Greno tem sido um excelente vereador, tem-nos apoiado bastante, mas interpretou dessa maneira… A prova de que não gastamos o dinheiro da Câmara são os resultados que obtemos na formação em todas as modalidades.

Quanto é que o subsídio da Câmara representa para o orçamento do clube?
Não chega aos 20 por cento, e não é só para o basquetebol, é também para o remo e a natação, e devia ser também para as outras actividades. Só que o programa que este ano colocámos na Câmara nem sequer foi aprovado e assinado, certamente por razões de conjuntura que nós entendemos. Mas como não recebemos, não podemos gastar, e como para o ano não sabemos se vamos receber, nem sequer podemos inventar e portanto saímos. No ano passado fizemos um esforço de contenção enorme e o exemplo disso é o remo, que fez um trabalho notável – partindo de uma situação idêntica, conseguiu revertê-la e estar numa situação de não acabar, que era o que acontecia quando peguei no Galitos. O basquetebol vai fazer o mesmo caminho.

Acha que o Galitos vivia acima das suas possibilidades nos últimos anos?
O Galitos dependia excessivamente da Câmara nalguns casos, antes de mim. Nós estamos a inverter isso. O caminho tem de ser esse. Eu estive 30 anos na natação e fizemos esse caminho, e a natação é hoje um marco – nunca houve natação em Aveiro como actualmente no Galitos.

Acha que a Câmara tem obrigação de apoiar os clubes?
Não faço política e essa é uma decisão da Câmara. A minha opinião é que sim, mas só pode apoiar se tiver dinheiro e se politicamente achar isso bem.

Acha que agora há caminho para a secção de basquetebol ganhar independência?
Caminho já existia. Deixou de haver é uma parte do caminho, que é a Proliga. Mas o bom caminho do basquetebol já existia.

Como é que o Galitos consegue sobreviver sem o apoio da Câmara e com os patrocinadores a rarear?
As secções trilham um caminho de há dois anos para cá – e algumas antes disso – de auto-sustentação. Aquilo que fazem é tentar arranjar receitas para cobrir as despesas.

E onde vêm as receitas?
Dos atletas, da angariação de fundos, de donativos de empresas e particulares, das quotas dos sócios, das escolas que são remuneradas… O caminho é a auto-sustentação, uma política de rigor e de verdade.

Quando acha que o Galitos poderá regressar à Proliga?
Não estou nada preocupado com isso. Regressará quando houver patrocinadores… Esta decisão custou muito aos atletas e aos dirigentes, mas o que interessa ter um basquetebol profissional como o Aveiro Basket se ele era um monte de dívidas? Nada. Temos de viver com o que temos e não acima do que podemos. Portanto, quando houver condições voltamos e enquanto não houver não voltamos.

O Aveiro Basket foi uma extravagância?
O Aveiro Basket foi uma ideia bonita, e infelizmente tornou-se um projecto político. Quando se tornou num projecto político caiu, como tudo nestas coisas.

Quem o tornou num projecto político?
Tem de perguntar a quem estava na política na altura.

As dívidas da SAD do Aveiro Basket têm de ter uma solução. O Galitos, como accionista com 15 por cento da sociedade, vai ser chamado a participar no pagamento das dívidas acumuladas?
Existe mais ou menos um acordo sobre esse assunto e está a ser tratado entre nós e a Câmara.

Vai assumir parte das dívidas?
O que calhar na altura da liquidação.

Mas terá de assumir à razão dos 15 por cento que detinham na SAD?
Acho que sim. Uma parte pequena…

Isso não vem ajudar nada o Galitos, dadas as dificuldades financeiras do clube…
É menos um problema que temos para resolver. A Câmara actuou bem neste processo do Aveiro Basket.

Mas tendo Aveiro tanta tradição no basquetebol, não mereceria ter uma equipa na liga profissional?
A tradição já não é o que era. O que interesse ter uma tradição se não há dinheiro? O problema do país – e não só de Aveiro – é que vive acima do que pode. O Galitos até devia ser um exemplo, porque quem não pode não faz.

A secção de remo vive muito das instalações que o clube possui na zona da antiga lota, que está em obras, havendo um projecto para o local ao abrigo do programa Polis. Qual o ponto da situação sobre esse processo?
As obras incomodam, claro. O Polis é um projecto importante para a cidade, foi uma coisa boa que se lançou, mas demora várias vezes mais do que o que estava previsto, o que incomoda. Mas incomoda também a indefinição. É importante fazer a obra, mas também salvaguardar o Galitos, que está lá há quase 30 anos, e salvaguardar o remo. Estando projectada uma área de apoio e de lazer, é natural que tenhamos a pretensão de ficar naquele espaço e que nos ajudem a ficar lá.

E tem essa garantia?
Não existem garantias escritas, e nós estamos preocupados com isso.

Quem vos pode dar essas garantias?
Tanto o dono dos terrenos como o dono da obra. O que acontece é que começaram a fazer obra e neste momento já não temos acesso à água, e as soluções que nos propuseram para lá pôr um batelão não são exequíveis. Temos de inventar outras soluções e vamos falar com as autoridades para resolver os problemas. Não podemos é fazer primeiro e depois ver como se resolve. As coisas têm de ser programadas. Mas eu percebo que, quando as coisas estão programadas para fazer há cinco anos e de repente está tudo atrasado e se quer andar depressa, existam atropelos. Eu entendo as circunstâncias, mas não devia ser assim. Estamos abertos a falar com quem for necessário – Porto de Aveiro e Câmara – para nos ajustarmos, porque é uma pena perdermos a capacidade de treinarmos ali. Até porque é absolutamente compatível com o que lá existe e uma boa maneira de fazer propaganda do remo.

O remo do Galitos pode dar um salto qualitativo com a construção da pista de remo do Rio Novo do Príncipe?
É evidente. A pista de remo tem condições notáveis e se o projecto avançar o remo evolui.

Então não compreende o argumento do Governo para não financiar o projecto…
Por acaso compreendo. É óbvio que quem investiu o que investiu na pista de Montemor e havendo falta de recursos em Portugal, agora pergunta por que vai investir 50 quilómetros ao lado. O que não compreendo é como fizeram o investimento na pista de Montemor e não há pessoas responsabilizadas por isso.

Teria feito mais sentido fazer o investimento em Aveiro?
Claro. Já havia tudo, e ainda por cima temos de defender a zona lagunar, e aí o dr. Alberto Souto tinha toda a razão. A pista de remo é colateral, não é a principal coisa a fazer – o principal é defender as terras das águas salgadas.

Acredita que a Câmara tem capacidade para construir a pista, apesar de ainda agora ter sido anunciado um novo adiamento?
Acredito na palavra do presidente da Câmara. Os aveirenses já estão habituados a adiamentos na pista de remo. É inacreditável como é que meio século depois Aveiro não se conseguiu unir num projecto destes, apesar de se ter conseguido unir num projecto megalómano como o estádio.

É um problema de falta de união?
Acho que é um problema de falta de peso político. Eu quero mobilizar todos os aveirenses para esta causa. Não é um capricho. É decisivo para Cacia, para a zona Norte, para a agricultura, por causa das cheias… Esta falta de estratégia é lamentável.

Sente que existe no país uma hegemonia excessiva do futebol?
O Galitos começou com futebol. Não vejo mal nenhum no futebol, há exemplos excelentes no futebol.

Mas em Portugal o futebol tem uma visibilidade que ofusca as restantes modalidades…
Não é só em Portugal. Por que é que há-de ser só futebol, só futebol, só futebol? Só haver futebol é uma azelhice e nós temos casos de atletas com grande determinação que deviam ser um exemplo. E muitas vezes não são.

Acha que os aveirenses sabem quem é Diogo Carvalho, nadador do Galitos apurado para os próximos Jogos Olímpicos?
Acho que sim, e temos tido provas disso. Infelizmente ainda não se materializaram em apoios, apesar dos esforços que temos feito. Se calhar a natação não tem o retorno suficiente, mas estamos a tentar dar-lhe visibilidade. Também é muito culpa dos meios de comunicação social.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro comunicou que as taxas de ocupação de terrenos e planos de água do domínio público iriam aumentar. O Galitos deixaria de pagar 250 euros anuais para assumir uma factura de 31.500 euros pelo facto de ter dois pavilhões construídos numa das margens da ria. Como olha para esta decisão?
Como era tão absurdo, devem-se ter esquecido. Fizemos umas cartas e não responderam. Devem ter falta de dinheiro e aumentar impostos é sempre a coisa mais fácil. Nenhuma pessoa de bom senso acha que aquilo era possível. O problema é como é que existem governantes que fazem estas coisas e continuam lá. É irrealizável.


Nas últimas eleições autárquicas foi eleito deputado na Assembleia Municipal de Aveiro na lista da coligação PSD/CDS, mas abandonou o lugar quando assumiu a presidência do Galitos. Porquê?
Vivemos de valores. Não é incompatível, mas eu entendo que não posso fazer os dois papéis e entendi sair de um. Além disso, sou director do jornal O Aveiro.

Maria José Santana e Rui Cunha

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