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04-10-2004

Um italiano que quer defender o património de Aveiro


Entrevista a Fábio Carbone, fundador da associação HERA

Fábio Carbone é um italiano da pequena cidade de Crotone e escolheu a área da Arqueologia para se formar. De especial sensibilidade para com as questões do património e da sua defesa, está em Aveiro a acabar o Mestrado e fundou a associação HERA. Uma «força» de projectos, ideias e ideais com que quer fazer a diferença. Assim lhe concedam os apoios mínimos necessários para continuar o seu sonho: salvar os testemunhos do passado Como é que aparece um arqueólogo italiano em Portugal? Nasci em Crotone, na Calabria, a 22 de Setembro de 1978. Licenciei-me em Literatura e História, na variante de Arqueologia, terminei há pouco a parte curricular do Mestrado em Gestão e Desenvolvimento do Turismo na Universidade de Aveiro, e vou brevemente começar a elaboração duma tese sobre a gestão dos locais arqueológicos com fins turísticos. Cheguei a Portugal (sem falar uma palavra em Português) através da adesão a um Projecto europeu de intercâmbio e trabalhei como técnico do património por diversos meses. Com o passar do tempo comecei a documentar-me sobre a arqueologia em Portugal, e até fui contratado como arqueólogo por uma empresa de Abrantes, com a qual, ainda colaboro, e foi assim que conheci muito deste país. E o «salto» para Aveiro? Na verdade, o trabalho de arqueólogo em si nunca me satisfez, por isso mesmo decidi reforçar a minha formação. Pesquisei na Internet e escolhi aquele que achei ser um óptimo mestrado, proposto pela Universidade de Aveiro. Neste momento estou a estudar para os últimos exames antes de começar a elaboração da tese. A nível profissional, continuo em contacto com as empresas com as quais colaborei até hoje e revelo-me totalmente rendido a Aveiro. Entretanto fundou uma associação. Como surge essa ideia? A associação HERA – Associação para a Valorização e Promoção do Património, tem poucos meses de vida e propõe-se a promover projectos ligados à promoção do património local. As motivações da fundação da HERA têm raízes que chegam até à minha infância. Sempre me senti atraído pela história e os seus vestígios materiais, em boa medida por ter nascido em Crotone, um local cheio de história. Trata-se da antiga cidade grega Kroton, que há mais que dois mil anos foi capital da Magna Grécia, berço da civilização ocidental, onde, por exemplo, Pitágoras inventou o seu teorema. Aí vivemos em contacto constante com a história grega e os seus vestígios arqueológicos. Mas, esta minha paixão tem um «culpado» muito especial, o meu pai, um grande amante da história que me passou esta sensibilidade: graças ao seu trabalho, ele sabia de todas as descobertas arqueológicas casuais que se faziam na cidade, e já na minha pré-primaria vinha buscar-me à escola para me mostrar essas novidades em primeira mão. Muitas vezes chegávamos antes dos arqueólogos da Câmara. Para mim, miúdo, representava a entrada num mundo maravilhoso e, com o passar do tempo, apercebi-me da importância daquelas descobertas, daqueles pedaços da nossa história que ficavam a poucos centímetros por baixo dos nossos pés. A HERA quer promover o património ou sensibilizar as pessoas para a sua importância? Esses são, afinal, os grandes objectivos da Associação, devolver às pessoas a consciência das próprias origens, das raízes da própria cultura, através do conhecimento das evidências arqueológicas e, ao mesmo tempo, tudo fazer para conservar o que ainda existe de vestígio histórico. No ano passado, a HERA lançou o projecto Arqueolaria. Do que constou? Trata-se de uma visita guiada, especialmente dirigida à população estudantil do Secundário, a quatro pontos «chave» para o entendimento da cerâmica em Aveiro. Os grupos iniciam a «viagem no tempo» junto aos fornos tardo-romanos de Eixo, seguem para a Oficina do oleiro Felica, onde é possível apreciar a passagem da época romana para a medieval, e depois a Fábrica Jerónimo Pereira Campos, que introduz a época moderna. Por fim, a visita culmina na Vista Alegre, marcada pela contemporaneidade. No ano passado, este projecto corou-se de êxitos e queremos que este ano se voltem a repetir. As primeiras saídas já estão marcadas, concretamente para os dias 3, 10 e 17 de Novembro, devendo as escolas e particulares fazer as inscrições o quanto antes. Este ano vamos introduzir uma novidade que consta de uma sessão com os alunos, no dia anterior à visita. Foi a forma encontrada para fazermos uma introdução sobre aquilo que vão encontrar. Esta acção contou, e volta a contar este ano, com o apoio da Câmara Municipal de Aveiro, pela Divisão de Museus e Património Histórico, que desde o início mostrou grande abertura e sensibilidade para com a HERA. O que gostaria de ver mudado em Aveiro, por acção da sua associação? Gosto muito de Aveiro, da região e das pessoas. Não iria mudar muito. E depois, quem é este italiano que quer mudar as coisas? Claramente, se estou empenhado neste projecto é porque há realmente a necessidade das pessoas serem sensibilizadas para alguns assuntos. Eu só estou a dar o meu pequeno contributo para que isso aconteça e enquanto existirem cidadãos que desconheçam a importância do património que o distrito de Aveiro detém, iremos ter sempre trabalho. Se pudesse interferir de alguma maneira na esfera política, adorava que os concelhos de Aveiro e Ílhavo cooperassem mais. Tenho a certeza que isso traria grandes benefícios para todos, concretamente na gestão dos recursos e no consequente crescimento da cultura e da economia local. Aveiro respeita e valoriza o seu património? Aveiro é uma cidade de fortes características e muitas coisas estão a ser feitas para valorizar o património. Claro que, de uma forma geral, há sempre muito a fazer e há muito para melhorar, acho que é um processo de crescimento normal em qualquer cidade. Hoje em dia, as tendências internacionais estão viradas para uma nova visão do património: os recursos naturais e culturais são, cada vez mais, interpretados e geridos (justamente) não só como fonte de cultura, mas também como fonte de crescimento sócio-económico, através do desenvolvimento de um turismo sustentável que assente no seu aproveitamento. Esta é a directriz principal do meu trabalho e acredito que Portugal (para além das insensatas vendas do património por parte do Governo) esteja a seguir esta nova visão. E os apoios têm chegado à HERA? A nível local, a Câmara de Aveiro tem-se mostrado extremamente empenhada em apoiar-nos, bem como a Junta de Freguesia da Gafanha de Nazaré, onde estamos sedeados. Só com a Câmara de Ílhavo ainda existem problemas de «comunicação» mas que, com certeza, irão ser brevemente resolvidos, pois todos conhecem a sensibilidade e o interesse do Presidente da Câmara de Ílhavo no que se refere as emergências arqueológicas. De qualquer forma, a HERA necessita urgente e desesperadamente de patrocinadores. Para tudo é necessário dinheiro e neste momento já perdi a conta ao dinheiro do meu bolso que já gastei com a Associação. Uma situação que não pode continuar eternamente. E Itália, deixa muitas saudades? Cresci numa linda cidade italiana, com uma praia cheia de sol e que fica no meio do Mediterrâneo. Sim, tenho saudades. E dos meus amigos, então! Para combater essas saudades, tenho a minha casa cheia de imagens do «meu» mar, cozinho exclusivamente comida italiana e falava com a minha mãe diariamente… até ao dia em que chegou a conta do telefone. Agora falamos um pouco menos! Que projectos futuros tem para a associação? Após o projecto-piloto Arqueolaria, cujos conteúdos estão no site www.heranet.no.sapo.pt, estamos agora a elaborar novos projectos: para além da vertente arqueológica, a associação também irá abranger a vertente do património ambiental, cuja responsável é Teresa Serafim, que desde o princípio, com dedicação e sensibilidade, apoiou o nascimento da associação. Em concreto queremos reunir um grupo de jovens, e não só, que queiram descobrir a riqueza da avi-fauna das salinas de Aveiro. A ideia é fazermos estudos, visitas, recolhas e registos e editarmos guias em várias línguas. De qualquer forma, ideias não faltam para mais projectos, e mesmo intercâmbios internacionais. Os nossos colaboradores têm-se mostrado empenhados em ajudar ao desenvolvimento da HERA e isso enche-nos de vontade de continuar. O que me faz feliz - Serenidade à minha volta Do que não prescindo - O respeito O que não tolero - O actual governo português e italiano O que mais aprecio nos outros - Capacidade de lidar comigo Hobby - Planear viagens, ouvir e tocar música, ver desenhos animados Cor preferida - O verde e o azul do Mediterrâneo Destino de sonho - Japão: demasiado diferente O valor mais importante - O Amor Prato predileto - A lasanha da minha mãe

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